O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defende a proibição da aparição de "pessoas famosas, artistas e atletas" em anúncios publicitários de cervejas, com o argumento que a presença destes ícones induz os jovens a beber. A proposta deveria ser incluída no pacote de novas regras que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária prepara para aprovar no fim de maio.
"Quando o Zeca Pagodinho protagoniza uma propaganda de cerveja é uma coisa dramática. Gosto dele como artista, mas é preciso pedir para ele parar. É patético, constrangedor", disse o ministro.
Enquanto isso, no Japão, está sendo comercializada com bastante sucesso a bebida Kodomo no nomimono, a cerveja para crianças.
Trata-se de uma bebida que imita a textura e a cor da cerveja, mas com sabor adocicado de maçã, de modo que as crianças possam participar dos eventos junto dos adultos e não se sintam desprezadas. Estão previstas ainda para este ano o lançamento das versões infantis de vinho, champagne e coquetéis.
As diferenças entre o ocidente e o Japão são comumente demonstradas em quase todos os fatos da vida, e esta é definitivamente mais uma delas. O Japão é conhecido por seu cultura de beber em grupos, e esta é realmente uma excelente maneira de incluir as crianças durante as celebrações familiares. Essas bebidas são vendidas em quase todos os restaurantes, o que é um bom negócio, pois a maioria das comemorações é feita fora de casa. É claro que se você perceber que seu filho de quatro anos acabou de vomitar e desmaiar no chão rodeado de latas de pseudo-cerveja, em frente à TV, é sinal que está na hora de cortar o kodomo no nomimono e colocá-lo para dormir.
Abaixo, vídeo de um dos comerciais da bebida:
Sicko, que passou neste sábado, no 60º Festival de Cannes, trata do sistema de saúde dos EUA.
Moore fez uma descoberta assombrosa. O sistema público americano de saúde foi desmantelado no governo republicano de Richard Nixon. Hilary Clinton tentou ressuscitá-lo no governo de seu marido, Bill Clinton, mas os congressistas e associações de classe uniram-se contra o que definiam como um projeto de socialização da saúde nos EUA. Armado de sua câmera, Moore recolhe histórias de pessoas que perderam seus entes queridos porque o sistema privado instalado na América volta-se para o lucro. Quanto menos atendimento os segurados tiverem, melhor para as empresas. Fundou-se, como conseqüência, uma cultura de dizer não às necessidades dos associados.
Moore vai ao Canadá, à Inglaterra e a França para mostrar como nestes países, onde o sistema de saúde é gratuito, não apenas as pessoas são bem (muito bem) atendidas como a expectativa de vida da população é maior. Um bebê nascido em El Salvador tem mais chance de sobreviver do que outro nascido em Chicago, você acredita nisso? Moore tem a fama de manipulador e, certamente, continua manipulando seu público, mas o que ele cita são pesquisas da Organização Mundial de Saúde.
A parte talvez mais polêmica de Sicko refere-se aos heróis do 11 de Setembro, bombeiros e profissionais da saúde que contraíram doenças pulmonares pelo vários dias e semanas que ficaram aspirando pó e fumaça nos destroços do World Trade Center, em busca de sobreviventes. Nenhum deles consegue ser atendido nos EUA. Moore descobre que, na base de Guatánamo, onde o governo Bush abriga suspeitos de atividades terroristas, os homens da Al-Qaeda dispõem de melhores condições de atendimento que os cidadãos americanos. Ele freta um barco e tenta levá-los para Guantánamo, que é, afinal, parte do território americano encravada em Cuba. A entrada na base é negada e Moore ruma, então, para Havana, onde os heróis americanos encontram, nos hospitais públicos de Fidel Castro, o atendimento que lhes é negado nos EUA
Ele está ameaçado de ser preso por isso. Na coletiva, já deu para ver que seus elogios ao modo de vida de canadenses, franceses e ingleses vai render muita polêmica. O elogio ao sistema de saúde cubano, então, nem se fala. Cuba pode não ter papel higiênico, mas tem medicamentos quase de graça. Na Inglaterra, o paciente não só é atendido de graça como os medicamentos - todos - possuem um preço universal baratinho. E mais - o sujeito ganha o dinheiro da condução para voltar para casa, o que faz do sistema hospitalar inglês o único em que o caixa funciona para pagar os pacientes, não para tomar-lhes dinheiro. Moore nega que Sicko seja sobre o sistema de saúde implantado nos EUA. Diz que Tiros em Columbine também não era só sobre armas e Fahrenheit - 11 de Setembro sobre o fatídico ataque em Nova York. Todos tratam de outra coisa.
Veja aqui o trailer do filme:
Por que isso é importante? Porque os planos de saúde querem fazer no Brasil o mesmo que foi feito nos Estado Unidos, e o trabalho médico é cada vez mais desvalorizado e a sáude do paciente está em último lugar.
Por isso viva o Sistema Único de Saúde, e que ele continue a evoluir para se tornar tão perfeito na prática como é no papel.
Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Higéia, por Panacéia e por todos os deuses e deusas, tomando-os como testemunhas, obedecer, de acordo com meus conhecimentos e meu critério, o juramento de prover a todos que acessem esse site uma chama de conhecimento ou uma gargalhada de alegria.